quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

e a dor

























essa que profana os caminhos das tuas mãos
em minha pele e estende-se aguda e
funda a percorrer-me desde o dorso
pelo flanco até o pé

como definitivamente mitigá-la

são-me inúteis os remédios os médicos a poesia
e os poetas como eu e mesmo como tu ainda
que aqui tu estivesses nessa hora
e não estás

e a dor a afirmar-se de mim senhora e soberana
por pirraça ou por vingança ignora o mau poema
com que tento distraí-la e crua
recrudesce



Márcia Maia


2 comentários:

mfc disse...

Que é feito daquele sorriso que tínhamos e daqueles olhos brilhantes de esperança?!

Leonardo B. disse...

[inquilina na palavra,

a dor permanece, mesquinha,
para além da palavra,
engana(dor)a palavra]

um imenso abraço, Márcia

Leonardo B.