quarta-feira, 26 de maio de 2010

Soneto de entrega

henri matisse©


















Amar é entregar. Tudo te dou.
Não porque tu me pedes porque quero.
Pois te sei livre em mim portanto espero
em ti livre perder-me: aqui estou.
Quero o grito o encanto o mel o vôo
oceano e deserto reverbero
sob o toque das mãos tuas: bolero
só audível a mim quando em ti sou.
Mais que flor ofertada aberta ao falo
sou suor sou galope e contra-canto
o teu corpo no meu corpo abrilhanto
e em mil sóis saberei multiplicá-lo
:
gozo imenso eterniza a cavalgada
e enrubesce de inveja a madrugada.



Márcia Maia


5 comentários:

Adriana Karnal disse...

só sei que nesse bolero, os dançarinos são. voo, cavalgada e madrugada.Lindo!

wind disse...

Belíssimo!
Beijos

heretico disse...

insuperável soneto. que certamente a Florbela Espanca gostaria ter escrito,

e sentido...

beijo

Alexandre Beanes disse...

ave maria!! desculpa, mas não tem outra forma de dizer ao ler isso: você é foda (com amor).
beijos, minha amiga.

Felicidade Clandestina disse...

que encanto.

fiquei sem palavras em tamanha beleza.
seus versos acalmaram meu coração e encheram minha noite enluarada de paz e poesia :)

um beijo minha querida.
vou me ousar e colocar no reino.