quarta-feira, 11 de julho de 2012

versos de circunstância


porque é inverno e chove 

porque por acaso faz frio 

os frascos da memória 
se me abrem 

no cheiro acre de mofo 
que emana das gavetas 

no cheiro doce do chá 
fumegando sobre a mesa 

no vestir da blusa cinza 
de lã fina 

que me deste num antigo 
aniversário 

porque era inverno e chovia 
porque por acaso era frio



Márcia Maia



4 comentários:

L. Rafael Nolli disse...

Márcia, poema que tem aquele poder de nos seduzir com seu ritmo, suas palavras... é mágico mesmo.
Abraços.

mfc disse...

Memórias que não nos sossegam!
Memórias que nos sangram o íntimo!

Beijos,

wind disse...

Gosto de vir aqui e ler tudo.
Sinto-me bem com a tua poesia e a tua prosa poética:)
És uma grande escritora!
Beijos

emptyspaces11 disse...

Gosto do ritmo que impõe aqui. Como no balanço de um pêndulo, daqueles velhos e intermináveis relógios antigos. Algo que bate fora e rebate na memória exatamente o que não é possível reverter. Essa passagem de anos, essa velhice de atos, esse inverno que chove e que, de qualquer maneira nos faz frio.
Abraço!