quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

joana


eli miguel©














salgou-se o mel dos olhos de joana
e o fogo dos cabelos fez-se mar
a pele enluarou-se de sargaço
em noite de tormenta e vendaval

diziam que ela era americana
diziam que era louca em se arriscar
vencer de peito aberto aquele espaço
em noite de tormenta e vendaval

o espaço digo agora era terra
lagoa mangue rio canavial
os pés descalços cobra coral ferra

a dor escorre junto com o veneno
(mortalha lhe serão mar e sereno)
em noite de tormenta e vendaval



Márcia Maia


2 comentários:

Leonardo B. disse...

[todo o soneto, possibilidades em revolta palavra, revolvida ao redor das águas]

um imenso abraço,

Leonardo B.

Mlailin disse...

Joana teve um AVCI em agosto do ano passado. Seu braço e sua perna do lado esquerdo ficaram paralisados. Agora ela dorme no quarto ao lado. Eu estou na sala ao lado do seu quarto, digito essas palavras enquanto penso em suas palavras antes de dormir: "Não quero mais viver!" Eu não sei mais o que fazer por ela, a não ser tentar escrever a sua história.