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domingo, 22 de julho de 2012
previsível
um dia sol
flores azuis e poesia
outro chuva
silêncio e espinhos
sem meio termo
ou trovoadas
mera meteorologia
Márcia Maia
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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
paz
o corpo sossega
nada há mais que espere
[o cheiro de terra molhada
roça lembrares antigos]
é tarde e é longe
chove
Márcia Maia
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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
pacto
tu mentes que vens
e eu que creio e espero
finjo que em nada acreditei
lá fora cantam
os últimos bem-te-vis
é verão e anoitece tarde
Márcia Maia
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terça-feira, 20 de dezembro de 2011
móbile
e esse frio
vem da chuva que caiu na
madrugada
ou do deserto que instalou-se
sorrateiro
dentro em mim
pergunta inútil
mero jogo de palavras
além do costumeiro e poético
fingimento
Márcia Maia
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sábado, 17 de dezembro de 2011
fato
de mim
que sou bruma
e noite
às vezes lua
quase nunca madrugada
inútil falar a ti
que és pedra e rio e sol a pino
não entenderias
Márcia Maia
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sábado, 10 de dezembro de 2011
despertar
ruídos de martelos e buzinas
alguns canários cantando no ipê
um sabiá
e esse sol invasor
violando segredo e solidão
é sábado
e eu me queria ainda um pouco madrugada
vestígio de bruma na manhã
Márcia Maia
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sábado, 26 de março de 2011
águas de março
tanto faz se chuva fina
temporal ou mar
de lágrimas
Márcia Maia
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segunda-feira, 21 de março de 2011
o poema
parco verso-raro
abismo entre o silêncio e o grito
antes do salto
Márcia Maia
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sábado, 12 de fevereiro de 2011
sujeito a chuvas
em cinza e vento
espreguiça-se a manhã
e já vai a meio
chove
nem parece fevereiro
entre livros e discos
me aconchego
e sonho sonhos de junho
se adormeço
Márcia Maia
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domingo, 6 de fevereiro de 2011
antropofagia
desencantada
sirvo-me em pedaços
à mesa dos desesperados
Márcia Maia
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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
vigília
ainda um pouco de noite
na noite
o silêncio alternando-se
com a brisa
os passos apressados de
algum retardatário meio-
tonto de bebida ou de cansaço
talvez um cão
decerto um gato
e essa vontade antiga
vã e velada
de que se prolongue
para sempre a madrugada
Márcia Maia
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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
urbano em demasia
um dia inteiro de britadeiras à porta
inferno aos ouvidos
reformam o sobrado da esquina
e por toda a vizinhança
soçobram versos canções risos
e mesmo o que a alguns resta de juízo
quem os haverá de resgatar findada a obra
Márcia Maia
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domingo, 23 de janeiro de 2011
aquarela
silêncio de domingo sobre a tarde
um quê de luto — lilás e
violeta — sob as
pálpebras
Márcia Maia
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domingo, 12 de dezembro de 2010
poema à toa
escrevo papoula
como se semeasse a primeira
cor da primavera
escrevo deserto
como se me desafogasse
e partisse
o que sonho escrevo
(finjo)
não minto
Márcia Maia
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domingo, 10 de outubro de 2010
por decreto
tão mais inúteis quanto mais se sucedem
ensolaradas e mudas são as manhãs
de domingo
eu finjo que não te espero
finges tu não nos saber
e a vida segue
a olhos vistos se adelgaça perde o viço
empalidece
sem que haja em toda a medicina uma única
maneira — poção ventosa ou vacina —
que a possa socorrer
exceto talvez abolir — por decreto — de uma
vez por todas todas elas
as mudas e claras e azuis e inúteis
manhãs de domingo
Márcia Maia
ensolaradas e mudas são as manhãs
de domingo
eu finjo que não te espero
finges tu não nos saber
e a vida segue
a olhos vistos se adelgaça perde o viço
empalidece
sem que haja em toda a medicina uma única
maneira — poção ventosa ou vacina —
que a possa socorrer
exceto talvez abolir — por decreto — de uma
vez por todas todas elas
as mudas e claras e azuis e inúteis
manhãs de domingo
Márcia Maia
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quarta-feira, 1 de setembro de 2010
tudo muito simples
o café recém-coado
o cheiro de pão quente
com manteiga
mais um gol de ronaldo na tv
e de quebra o céu claro ainda azul
seria uma tarde perfeita
não houvesse o morto na casa
ao lado
e o choro das crianças abafando
o cantar dos passarinhos
Márcia Maia
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terça-feira, 10 de agosto de 2010
mergulho
no espaço exígüo
entre teus olhos e o sol
da tarde que se vai
pereço
afogo-me
a mim não me foi dado
saber nadar em águas rasas
Márcia Maia
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quarta-feira, 4 de agosto de 2010
sexta-feira, 9 de julho de 2010
concerto para uma só voz
a minha
:
no mais profundo silêncio
Márcia Maia
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sábado, 22 de maio de 2010
como epidemia
como se em tantos o mesmo
tempo se tecesse
e as distâncias amanhecessem
duplicadas
estende-se a saudade
— como epidemia —
nas manhãs de sábado
Márcia Maia
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