sexta-feira, 2 de abril de 2010
a chuva enxágua as calçadas
da sexta-feira
deserta
encharcada a miséria se abriga
sob os pórticos das igrejas
antigas
pintadas de novo
— preciosamente preservadas —
sombria imagem de esquecidos
não há páscoa nesta cidade
de vivos-mortos
sem ressurreição e sem saída
aqui é sempre
— e todo dia —
sexta-feira da paixão
Márcia Maia
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poesia sempre nº15
quarta-feira, 31 de março de 2010
antropofagia
desencantada
sirvo-me em pedaços
à mesa dos desesperados
Márcia Maia
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um tolo desejo de azul
terça-feira, 30 de março de 2010
A lua por epígrafe
Entardecia. A lua — a mesma lua — de novo se mostrava ao céu daquela rua. A mesma rua. E eu pensava na história. Nas histórias. Na que ali vivera. Na que ali vivia agora. E não percebia que era a vida uma mesma e única história. Que ali se repetia. Noutro tempo. Travestida de outra história. Tendo a lua por epígrafe. E o mesmo travo agridoce reservado ao brinde final.
Márcia Maia
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segunda-feira, 29 de março de 2010
sexta-feira, 26 de março de 2010
outono
márcia maia©
porque a chuva escorre
derretendo a paisagem
na janela
invento outra
navegando cores
coagulando a imagem
no espaço suspenso
entre a gota e
a vidraça
nada de insólito
crio
nada de exótico
acentuo apenas
os contornos da
minha mente errante
de outras eras
como a neve
rodopiando nos néons
da broadway
tão real quanto
meu rosto
(antigo)
s m
l e
o l
w t
l i
y n
g
do outro lado
da janela
Márcia Maia
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