sexta-feira, 31 de agosto de 2012

agosto 31 18:30




nem azul
imensa e cor de madrepérola
                                a lua
              despida de amores
perdoa o lugar-comum
                             e baila
além da minha janela



Márcia Maia



sábado, 18 de agosto de 2012

Pequenas obscenidades


Pensava sempre nele nessa hora. A hora em que, casquinha de sorvete à mão, lambia lenta e delicadamente as bolas. Deliciando-se em dobro. A relembrar outros jogos de língua. Em tardes distantes. E por vir.



Márcia Maia


domingo, 12 de agosto de 2012























De meu pai herdei a cor da pele
e um leve inclinar da cabeça
para a direita
nas fotografias.
Um jeito intenso de viver
amar e dar presentes.
Uma afabilidade cúmplice
no trato com as pessoas
além da profissão
exercida como sacerdócio.
O gostar de almôndegas
cozido e guisado
a mania de cortar toda a carne
no prato
antes de comê-la
e o incômodo de acordar
às quatro e meia
quando poderia dormir
até às dez.



Márcia Maia


segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Sinfonia de agosto


Toshiuky Aizawa©
















Meio à paz da manhã de verão, o clarão maior que o sol. O ruído. O horror. Acordes de medo. De dor. De escárnio. De morte. Desde aquele dia. Até hoje. E para sempre.



Márcia Maia


sexta-feira, 3 de agosto de 2012

agosto


clara claridade
claríssima
clarente
clara lente a perscrutar
os corpos brancos de inverno
e as almas

claro vento
ventania
canta claro catavento
canta vento a despertar
frutos e cores
cheiros e flores
sabores
amores?
a gosto
:
agosto



Márcia Maia